Feeds:
Posts
Comentários

Ainda no fórum


Aguardava minha vez na defensoria. O conceito de “vez” lá é muito relativo, pois a vez não é sua, é do processo, que pode (ou não) estar na pilha, e pode (ou não) estar em cima, o “não” acontecendo com mais frequencia. Enquanto aguardava, ouvia conversas. Joana D’Arc devia se sentir assim. Meio louca ouvindo vozes. Eram diálogos tensos de ex-casais, pessoas com duvidas perguntando a outras também com dúvidas. De vez em quando alguém me pedia uma informação. Em um dado momento uma jovem se aproximou de mim. Era jovem mesmo, com cara de adolescente, e estava muito agitada. Já tinha vindo de outro lugar e mandaram ela pra lá, e ela já estava “de saco cheio e sem paciência” com a não solução do seu problema. Sem ter nem noção do porquê, me mostrou um papel com um número de processo, que quase recusei se ela não tivesse enfiado ele no meu rosto. O processo de separação já havia sido arquivado, o que expliquei pra ela. “Então estou separada!?”, perguntou atônita. Eu disse que sim, se ela foi a audiência com o marido e ambos concordaram, provavelmente a sentença foi favorável. Xingando um palavrão do tamanho do Vade Mecum, ela bateu os pés “adolescentemente” perguntando: “E agora?” Estranhando a reação, questionei, ao que ela me explicou. Ela casou, teve um filho e em seguida separou, porque o cara era muito ciumento. Isso há uns três anos. Abriu o processo, e intimados os dois, compareceram ao fórum. Resolvido na hora. Ela não procurou mais o fórum desde então. Expliquei a ela que não haveria problema, já estava tudo resolvido, estava separada. Agora era desarquivar o processo e pedir conversão em divórcio. Ao que ela me responde: “Mas eu não quero! Eu voltei pra ele!” Só então notei a barriguinha saliente da moça (sem duplo sentido por favor). Limitei-me a explicar que ela deveria pedir desarquivamento e dar entrada em uma restauração de sociedade civil. Batendo pezinho e bufando feito uma adolescente, ela saiu em busca do seu objetivo. E eu pensei cá comigo:”mundo doido”. O programa “troca de casais” deveria vir em busca de personagens lá no Fórum.

nada realmente novo

WordPress comeu meu post com farinha…

Bom, como eu já disse (e vou dizer de novo,  né…) Estava esperando algo novo aparecer, para que eu pudesse comentar, seja acontecimentos mundiais ou quizilas na minha vizinhança. mas elas acontecem, e é com espanto que meus leitores leem este meu comentário/desculpa-esfarrapada-pra-não-postar. Mas não é desculpa, e explico: existe sim uma infinidade de coisas acontecendo, é muita informação!! essa é a questão: tudo o que se pôde falar já foi falado, eu só estaria redundando e enchendo seu saco. Estou preocupada com a questão da informação como mercadoria, e vou falar disso em breve, pegando como mote a história de que o NYT vai cobrar pelos acessos. E enquanto isso, vou postar minhas opiniões (polêmicas com certeza), pois informar com imparcialidade (ainda) não é tarefa minha, pelo menos enquanto a internet for grátis, e o senso crítico dos internautas ainda funcionar (às vezes não funciona, vide os chats do BBB, mas… fazer o quê…). Enfim.

Esse post saiu completamente diferente do anterior. Quem manda confiar no WordPress e não rascunhar no Word do PC mesmo?!

morte de um poeta


Parecia divinação.
J.D. Salinger morreu e eu caçando ontem feito louca a letra de uma música desse disco da Alcione (falando nisso, ainda não consegui achar. Alguém teria? “grad’cida” *minas mode*).
Por quê? Ué, o cara era um baita poeta, alguém (que leu) duvida? Seria capaz até de escrever um ensaio aqui de literatura comparada, mas já me graduei há uns cinco anos e perdi o jeito. Mas consigo me lembrar da minha professora, Sandra Erickson, que apesar do sombrenome é da “terrinha” (do Nordeste, povo!), falando do cara, não com predileção, que não era bem o jeito dela. Com paixão. Não que ela fsse “gamada” no cara, ela tinha outras preferências pessoais, mas a paixão dela era (e é) a Literatura. A arte. Isso era o sangue dela.
Depois dessa volta toda, volto à tal busca, e a razão dela: Não sou fã de Alcione. Tenho mesmo arrepios cada vez que sou obrigada a ouvir seus sambinhas mela-cueca. Mas já gostei dela um bocado. Assim como de outros artistas, prefiro a Marrom das antigas, do início da carreira, período em que, ao contrário da leis de mercado, o artista se dá ao luxo de mostrar sua arte, seu talento, caga e anda pro modismo “pop”, mesmo sabendo que é com o “pop” que se ganha dinheiro. Depois de ser reconhecido, mordido pelo bichinho da popularidade, vira um zumbi popular e esquece o que faz, passa a fazer o que o povo (que muitas vezes não sabe o que quer – vide BBB10) pede, manda, exige. Esse período da carreira dela, até aquele disco em que ela homenageia a Mangueira, acho que se chama “da cor do Brasil”, pra mim tem as melhores músicas, sambas de verdade, pra se sambar no pé mesmo, e as letras mais ricas, seguindo a tendência daquela época, de letras com conteúdo, algumas até de protesto. Por isso, e por razões sentimentais, quero a letra do “Tatu, engenheiro do Metrô”. Peço ajuda a quem tiver o album e queira tirar a letra pra mim. Os meus LP’s estão em casa sei lá de quem, ou se perderam nas inúmeras mudanças.
PS: Quem tiver opinião diferente, ou lembrar de álbuns mais recentes dela onde ainda se ouvem ecos de autenticidade, esteja a vontade nos comentarios. Não disse que minhas ideias não mudam.


…qual novela ou seriado, ou programa será cancelado pela justiça??

Tou perguntando isso porque no longínquo ano de 2002, uma novela da Globo foi cancelada pela justiça por causa de sua temática. Disfarçaram, dizendo que a trama era pesada para o horário das 18h, e que deveria ir ao ar somente após as 21h. Ora, todos nós sabemos que há muito tempo a Globo passa suas novelas “das oito” após as nove, e isso não seria dificuldade. mas ela preferiu acatar a justiça. Pra mim, a Globo já não devia estar querendo colocar a novela no ar: tinha pedido a autora pra mudar a trama principal, sobre um empresário corrupto… Maria Adelaide Amaral se recusou, e o resultado vocês viram no ar como “Coração de Estudante” de Emanuel Jacobina, autor de Malhação que, como seus atores- estagiários, foi promovido.

Agora, nessa altura do campeonato, quem precisa de novela pra ver corrupção? A questão é: enquanto está no jornal, o “povão” de tanto ouvir, já nem liga. Mas ver na novela é diferente, desperta e faz pensar. Vide as campanhas da Gloria Perez e Manoel Carlos (sem fazer festinha pra eles, falo porque é o que eles fazem nas suas novelas – continuo não tendo saco pra milhagens e bossas novas)

Quer economizar seu lado Sherlock Holmes internético? Aqui os links:

pista 1
pista 2
pista 3
pista 4

E o pior: como eu descobri isso? acompanhem meu raciocínio: uma noticia sobre a irmã da Miley Cyrus, que é cabeçuda feito a Sandy adolescente, e que me levou a Wikipedia do seriado “Sandy e Junior”, que tinha entre suas curiosidades o cancelamento da novela, onde Paulinho Vilhena teria um papel. É, eu sei, não precisava ter confessado esse crime…

Religião??

Post retirado do “Tijolaço”, do Brizola Neto, sobre um homem que pode ser tudo, menos de Deus. Essa criatura sem alma simplesmente declarou que a culpa da tragédia no Haiti é dos próprios haitianos, por terem feito, pasmem, PACTO COM O DIABO para se libertarem dos franceses!!
Por favor, alguém aí nos States, dá um “pedala” nesse indivíduo ridiculo?
Veja o post original aqui

pega aqui no meu basquete!

Diálogo verídico, ouvido em uma lanchonete, entre cliente e dono:
“- Poxa, você tirou do jogo do Vasco?
- Mas tá no intervalo, pode deixar que eu ponho de volta!
(…)
- Pô cara, vai começar (sic) os jogos de novo, né? O pior é que tudo ao mesmo tempo: vai ter jogo do Vasco, Fluminense, América, vai ser tudo no mesmo horario na gatonet…
- É mesmo, as vezes sai até briga em casa né?
- Ih, se sai rapaz… um filho querendo ver um, o outro quer ver um outro, eu querendo ver um terceiro… eu já deixo o BASQUETE DE BEISEBOL preparado… já deixo ele lá, no canto do sofá, o BASQUETE encostado… “
E agora, como vou viver sabendo que agora dois esportes tão heterogêneos estão “juntos e misturados” de forma que um virou equipamento do outro? Me respondam, senhores (e senhoras)?
O pior é imaginar o que ele deve fazer com o tal “basquete”. Será que é pra dar uma “manchete” na cabeça dos filhos?

meninas cosplaying p*tas, violência em trens, alunos incendiários...
Visto que:
1. Estou trabalhando há um ano e pouco como professora da rede pública estadual e venho presenciando situações até mesmo constrangedoras (para não dizer chocantes) na “minha” escola, situações que não presenciava, ao menos não com tanta intensidade, há oito anos, quando trabalhei na mesma rede como contratada, e depois como estagiária, por dois anos;
2. Meu marido está trabalhando como taxista nas ruas do Rio, principalmente no Centro e Zona Sul, até mesmo subindo morro de “comunidade”, tem visto coisas que, infelizmente, estão anestesiando a opinião pública, tamanha a frequencia em que estão ocorrendo nesses ultimos anos;
3. A ditadura, única época em que se teve (ao menos oficialmente, já que há quem defenda que os militares maquiavam tudo, ajudados pela censura) uma certa tranquilidade e uma diminuição da violência, é repelida com horror só comparável ao pavor pelos nazistas.

Acho que estou me tornando Fatalista. A coisa não é mais tão simples de se resolver. Se antes já era difícil, devido às nossas origens históricas, agora está ficando pior, porque os problemas sociais que deram origem às desigualdades, aclamadas como a principal causa da violência, já estão enraizados e se tornaram imensos, como terríveis baobás, a minar e deturpar a vida humana, não só o ser social, mas o ser vivo. Quem hoje em dia não sente pelo menos uma pontinha de revolta, raiva, sentimentos que não deveriam existir no coração do justo? Uma raiva incontida pela injustiça, pela humilhação, pela qual todos nós passamos diariamente? Quem sou eu para julgar meu marido quando ele defende a pena de morte com um brilho sádico nos olhos? Ele não é violento, de forma alguma, mas quem garante que ele vai se manter frio e não revidar e se vingar de uma pessoa se esta vier a causar algum mal a mim ou a meu filho? Como eu posso pedir a meus alunos que não revidem uma humilhação ou um soco de um colega, que não façam guerra de bolinhas de papel, onde o maior argumento é: “ele começou”? Se dentro de casa, a troco de nada, ele ganha um tapa da mãe, que já ganhou tabefe do marido, que foi humilhado no serviço ou assaltado e empurrado violentamente no ônibus…? O assaltante não é a origem, nem o patrão. Nas favelas, ou nas empresas, a ordem do dia é: “se dar bem”. Todo mundo critica a pessoa que tá por cima, seja ele o traficante, o empresário ou o político, mas em todos os casos, todo mundo preferia estar por cima, e se tivessem uma oportunidade, seja como político, empresário, ou mesmo traficante, ninguém pensaria duas vezes! Iria, se tornaria uma dessas pessoas, pra quê? pra se dar bem! Todos querem aproveitar, e se aproveitar!! Os meus alunos falam de sacanagem, eu sei, mas no fundo eles bem que gostariam de ter a grana que os colegas do “movimento” têm. Não pensam que é uma carreira mais curta que a de modelo, não pensam que é simplesmente errado!! Eu não faço uma coisa errada porque posso ser punida não, gente, não faço porque o nome já diz: É ERRADO!!! Até porque, se fosse por ser punida, não ia ter problema, afinal, quem é punido hoje em dia, por fazer algo errado? Há tanta coisa errada no mundo que nem é passível de punição… Ou vocês acham que uma menina de 15 anos que transa, engravida, larga a escola e vai depender da mãe pra criar e alimentar o filho, depois arruma mais meia dúzia de filho, todos de pais diferentes, continua indo a baile funk pra ver se arruma mais um pai pra mais um filho dela, vocês acham que isso tá certo?
(…)
(publicado originalmente no NUTS em 20/04/2009)
PS: Ficou incompleto pois retirei a última parte, que fala em tentar entender, e onde peço a vocês, leitores, que me ajudem. Esquece. Já desisti. O título atualizado deveria ser “virei fatalista”.

Oba!! O fórum!! (ih! a doida…!)
Numa tarde abafada como aquela, daria tudo para não precisar ir lá. Mas aparentemente tinham novidades pra mim. Será que, depois de quase três anos de calvário, conseguiria eu me ver livre do “encosto” do meu ex? Valeria a pena a viagem. Então tá.
estava naquele momento à espera na defensoria pública, onde tudo é por acaso. Inclusive encontrarem seu processo e te atenderem. Comecei a resmungar (isso e falar sozinha gesticulando tem me feito passar por certos constrangimentos ultimamente…), perto de uma moça que também aguardava nem ela sabia pelo quê. Foi quando uma senhora com ar de experiente disse: “eu sempre venho aqui por conta dos meus processos e sempre fui bem atendida. Não tenho do que reclamar. Elas (as atendentes) já até me conhecem, de tanto que venho aqui. Nunca tive problemas.”
Fiquei olhando e pensando que ela deveria ser uma advogada leiga, dessas que intermediam casos de pessoas que não têm a menor ideia do que fazer. Ou então por que teria “processoS”, no plural, em uma vara de família? Ela voltou à carga (sem trocadilho), dizendo que nos três andares do fórum já era conhecida. Senti que ela estava a fim de conversar (é, eu atraio isso, incrível). Estiquei o assunto, perguntando quantos processos ela tinha. Contando nos dedos, ela me respondeu: “oito, se contar com o que vou abrir agora, de separação”. Olhei com cara de espantada, e ela, vendo que tinha conquistado audiência, continuou: “basta dizer que tenho um cafajeste como marido, que tentou me internar como louca pra ficar com meus dois imóveis, e um filho super inteligente, mas que usa essa inteligência para o mal, e está a favor do pai”.
Fiquei até com medo que ela continuasse, afinal, segredo de justiça, coisa e tal. Me senti envolvida em uma novela policial. Após me contar os detalhes (sim!! ela me envolveu!!), concluiu dizendo que tinha vivido quase 20 anos com um estranho, e que agora, após se livrar do processo de interdição, iria finalmente se ver livre do homem que tentou colocá-la num hospício.
Meu processo? Ah, deixa pra lá. Ele não estava lá. Por acaso.
(publicado em 21/09/2009)

Estou preparando uma inédita e uma republicação para postar aqui amanhã e sábado, respectivamente. No Nuts, já há uma bobagenzinha inédita pra vocês irem saboreando de petisco. Fui.

créditos: Rodrigo Noventa, pastaaosugo.blogspot.com

A mulher chega no ponto de ônibus e pergunta inocentemente se o ônibus tal já passou.
O cara diz que já, e começa a fazer perguntas: onde ela morava, se estava indo pra casa, ‘pererê pão duro’.
Chega outro ônibus, ela viu que passava perto de onde ela ia e subiu. O cara subiu atrás.
Ela se senta à janela (não abre mão), e ele senta do lado e fica escorando. Ela pôde sentir o cheiro de cachaça e suor da criatura. Além disso, ela não pôde deixar de notar, o cabra era uma batida de caminhão, tamanha a feiúra.
Ele insiste na conversa, ela não dá idéia, e deixa a mão esquerda à vista, exibindo a aliança. O cara nada de se tocar.
Um amigo da “criatura” sobe no ônibus e este conversa alto com o outro, alardeando que saiu ontem à noite e só está voltando aquela hora, tendo ficado “quase 48 horas” (sic) fora de casa. Fica repetindo “por isso é que é bom o cabra ser solteiro!”.
De repente, vira pra mulher e pergunta onde ela trabalhava, descobriu que era uma escola, daí pergunta se os alunos são bem educados. “Mais do que o senhor”, pensa ela, já de saco cheio.
Ele pergunta se a escola não tem telefone. Ela diz que não sabe, que começou há pouco tempo. Ele pede o telefone dela. Ela pergunta: “Pra quê?”. Ele repete o pedido. Ela insiste: “pra quê?”. “Pra mim”, responde o “Don Juan”. Ela ri, debochadamente e responde: “Não!”.
O cara murcha todinho e calado segue viagem.

crédito da figura: Rodrigo Noventa

Postagens Antigas »