Fracassar faz parte de tentar. Diga isso para uma pessoa de natureza altamente competitiva, acostumada a só jogar em time que ganha, e altamente sensível a críticas, e ouvirá uma saraivada de desaforos. Quem nunca deixou de tentar alguma coisa pela simples possibilidade de um fracasso retumbante que se manifeste. Ou não, pelo receio de parecer o único que nunca fracassou, simplesmente porque não tentou. Às vezes é melhor ser medroso que ser covarde.
A verdade é que o medo do fracasso é inerente ao ser humano. Quase como o medo de cachorros é aos gatos. Mas isso já impediu um gato de subir no telhado de uma casa cercada de doces e gentis pastores treinados? Não que eu saiba. Grande coisa, dirão alguns. Gatos são irracionais. Ora, direi eu, assim como todos os medos. Humanos. É bem verdade que o senso crítico no Homem desenvolveu bastante, ou diria até hipertrofiou, levando a uma multidão de pessoas estagnadas, se disfarçando de “cautelosas”. É claro que nem todos são assim, mas os que realmente aceitam correr riscos em detrimento do fracasso são poucos. Felizmente o gene da coragem não é dominante, do contrário a raça humana já teria se extinguido há milhares de anos. Imaginem todos os homens da caverna enfrentando feras imensas sem um pingo de medo ou cautela…
Mas se o medo existe, é bem verdade que ele não deveria nos impedir de tentar o que quer que seja. Deveria apenas no ensinar que é preciso avançar com cuidado, estudando o terreno e as possibilidades de escapar de um resultado catastrófico. Recomenda-se ainda que se faça essa avaliação de riscos antes de aceitar o desafio. Infelizmente é bastante comum ao arrojado se lançar ao desafio e só depois, paralisado pelo medo, tentar avaliar um possível revés na situação, sem sucesso, obviamente.
Dizem que o medo deve ser enfrentado com pequenos desafios, experiências controladas onde se enfrenta, pouco a pouco, o objeto do seu medo. Mas como se enfrenta, de forma controlada e aos poucos, o fracasso? OK, hoje eu vou olhar nos olhos da minha namorada que já se encheu de mim e quer terminar, amanhã eu vou olhar e receber um fora, depois vou dar com o nariz na porta da casa dela, pois ela vai ter se mudado sem deixar endereço? Ou devo aceitar pequenos fracassos, como o fato de não conseguir comer pizza sem derramar gordura na minha camisa, e gradualmente passo para fracassos cada vez mais decepcionantes, como pisar na bola e ser demitido? De qualquer forma, isso parece mais com tortura do que com tratamento.
O fato é que, se você sente medo de fracassar, não deve se sentir mal por isso. Saiba que você não está sozinho e que o fracasso pode até ser uma coisa legal. Nada, fracassar é um saco, mas que você não será o único, isso não será mesmo.
